Brasília a Paraty de Bike
Entrevista a Marcos Gomes
Foto: Vivianne Lacerda
Em tempo: A foto ao lado foi feita já na cidade de Unaí/MG na manhã do dia 02/01 - Da esquerda para a direita: Thiago, Zé Carlos, Fatinha, Sônia e Adelita.
O projeto
A principal motivação para realizar essa aventura sobre duas rodas foi a grande preocupação com a sociedade e sua economia, de modo que possam preencher as suas necessidades e expressar o seu maior potencial ecológico e, ao mesmo tempo preservar a biodiversidade e os ecossistemas naturais, planejando e agindo de forma a atingir pró-eficiência na manutenção indefinida desses ideais.
Falamos aqui de sustentabilidade ambiental, entendemos que a mesma abrange vários níveis de organização, desde a vizinhança local até o planeta inteiro.
Queremos enfocar o transporte alternativo e enfatizar os de propulsão humana, especificamente bicicleta, com a finalidade de incentivar as pessoas a utilizá-la como principal meio de deslocamento, abrindo mão do uso exagerado de automóveis.
Os Participantes
Thiago Hebert, 27 anos, técnico em patologia, formado em farmácia bioquímica, atualmente faz especialização em farmacologia clinica, natural de Sobradinho/DF, ciclista ha quatro anos e um obstinado.
Sônia Gonçalves, 35 anos, natural de Brasília/DF, encarregada da fiscalização da higiene do Banco do Brasil, utiliza a bicicleta como meio de locomoção todos os dias para ir trabalhar, é ciclista há pelo menos 20 anos.
Franco Xavier, biólogo cursando mestrado em ecologia e aficionado por ciclismo, experiente em viagens de longa distância, mapeou toda a região da chapada, costuma viajar sozinho em ritmo de aventura e participante do grupo rodas da Paz.
A entrevista
BS - Quem é o dono dessa idéia?
Thiago - Essa idéia surgiu quando eu estava assistindo o programa do Jô Soares e vi o projeto do Weimar Pettengill mais o Adauto (*), eles foram para Paraty numa tandem e eu fiquei encantado com o projeto deles. Peguei o celular e imediatamente liguei pro meu amigo Franco Xavier que não pode por força maior estar aqui hoje, liguei pra ele imediatamente, ele topou na hora, resolvemos marcar nossas férias para janeiro, combinamos tudo fizemos o nosso projetinho e aqui estamos.
BS – Como a Sônia entrou nessa história?
Thiago – Eu vou trabalhar de bicicleta quatro vezes por semana e na subida do Colorado conheci essa “doidinha”, comentei por alto com ela e não imaginava que ela toparia encarar esse desafio, então ela falou - Cara eu estou de férias também, vamos lá.
BS - E porque esse desafio?
Thiago - A nossa principal motivação é o pensamento em nosso planeta, o efeito estufa o aquecimento global, estamos com isso querendo incentivar um pouco as pessoas a deixarem os automóveis de lado e tentar usar mais os transportes alternativos principalmente os de propulsão humana como a bicicleta pra tentar ao menos minimizar os efeitos no planeta.
BS - Porque você entrou nessa Sônia?
Sônia - Os motivos do Thiago são evidentes, eu acho que não só eu ou ele, mas que mais pessoas deviam fazer o mesmo pra ver se dá uma melhorada, não é só fazendo viagens longas, mas aqui mesmo como meio de transporte, a coisa tá pegando bastante mesmo dentro das grandes metrópoles, então se muita gente se adaptasse e os governos ajudassem com vias seria bem melhor e também pela motivação de pedalar que é gostoso. O Thiago me disse eu quero ir para Paraty, mas não me convidou e eu falei conheço lá é um lugar bem bacana, não deixa de conhecer alguns lugares é tudo pertinho e tal, até que um belo dia ele disse tu vai também, eu não pensei, simplesmente disse vou, em principio eu tava dando força pra ele pra que ele não fosse só que é perigoso e tal. Então tudo bem, fazer o que?
BS - E qual foi maior distância que você já Fez?
Sônia - 250 km.
BS - E você Thiago?
Thiago - 200 km.
BS - E hoje o que vocês pensam dessa distância longa, são 1 650 km pra quem só pedalou 200?
Thiago - Pra ser sincero eu não estou dormindo direito, já me perguntei milhares de vezes - Será que vou dar conta? Mas eu venho me preparando fisicamente ha certo tempo e vamos ver, igual ao “Zina” vamos cair pra dentro e ver o que vai acontecer.
Sônia - É um desafio, estou pensando mil coisas e ao mesmo tempo eu não chego a lugar nenhum, só quero chegar a Paraty.
BS – Qual o tipo de preparação física vocês estão fazendo?
Sônia - Pra dizer a verdade preparação pra isso eu não faço nenhuma eu pedalo todo dia vou para o trabalho e volto o que dá uma média de 40 a 50 km diários,
BS - No projeto de vocês qual é a média diária de pedal por dia?
Sônia - O Thiago fez uma previsão de chegada entre 15 e 18 dias, mas eu colocaria uma média de 10 dias com uma média diária de 160 km por dia.
Thiago - Em primeiro lugar eu queria enfatizar que da minha parte eu não sou atleta eu não vivo disso eu sou apenas um entusiasta que tá querendo provar que uma pessoa normal com um ritmo de treino consegue fazer um desafio desses. Eu estou pensando assim em 15 dias de viagem com três dias intercalados para descanso.
BS – Vocês têm um plano “B” para qualquer eventualidade?
Thiago - Temos a, b e c, na pior das hipóteses colocamos as bicicletas no ônibus e vamos nós, pedalar 160 km por dia é um pouco audacioso para um primeiro o projeto, o Weimar fez em 18 dias com dias de descanso, nós queremos fazer direto.
BS – A viagem é predominante na terra ou asfalto?
Thiago – Vamos por asfalto até Diamantina/MG, lá pegaremos a estrada real até Paraty que tem trechos de asfalto, mas a predominância é estradão de terra.
BS - Patrocínio, vocês tem patrocínio ou cada um banca sua despesa?
Thiago - Cada um bancando o seu, é cada um por si e Deus por todos, tínhamos planejando em fazer uma pesquisa de campo sobre o metabolismo da Sônia que vai estar em condições extremas para fazer uma avaliação glicídica, mas sem patrocínio resolvemos cancelar e deixar pra próxima.
BS - Vocês terão um carro de apoio?
Sônia - Vamos só com a cara e a coragem.
BS - Qual a estrutura que vocês têm hoje para transporte de bagagem, manutenção da bike, hospedagem e alimentação?
Sônia - Nós mesmos, barraca, bagagem na garupa da bicicleta se for preciso joga a bagagem nas costas e do jeito que der vamos encarar, apoio zero.
BS - Vocês pretendem escrever um diário sobre a viagem?
Thiago - A principio não, essa viagem não é pioneira, outras pessoas já fizeram, conversei com o franco e pensamos em escrever alguns rascunhos, mas não temos nenhuma idéia fixa. Nada concreto, vamos ver.
BS - Reserva em hotel?
Thiago - Só em último caso, como não temos patrocínio estamos poupando um pouco de dinheiro prá aproveitar mais a praia, afinal de contas nós estamos de férias.
BS - Chegando a Paraty além de descansar o quê mais vocês vão fazer?
Sônia – Praia e descansar um pouco, afinal de contas somos filhos de Deus, vamos chegar e comemorar a chegada com tudo que tem direito.
BS - Vocês têm compromisso com alguém chegando a Paraty?
Thiago – Nenhum, nosso objetivo é chegar a Paraty e ai sim vou ter um compromisso os camarões com o peixe e coisas parecidas.
BS - Quanto tempo vocês pretendem ficar lá?
Thiago - Eu tenho janeiro inteiro, assim que o dinheiro acabar eu to voltando.
BS - Vocês vão voltar de bike?
Thiago - Não, vamos voltar de ônibus.
BS - Porque a saída no dia 1º de janeiro?
Thiago - Coincidência das férias, como a distancia é grande não queremos perder nenhum dia na praia.
BS – Qual é a bike que vocês vão usar?
Thiago - Mountain bike, alforje, hiper ultra pesada, vai barraca, vai roupa, vai lanchinhos rápidos, vamos comer na estrada. Seremos beneficiados na estrada real com a estrutura, eu contei e são mais de 100 cidades de Diamantina até Paraty, fora os vilarejos e currutelas.
BS - E a manutenção da Bike, o que vocês vão fazer quando precisar?
Thiago - Isso é dos nossos problemas porque eu não tenho muita experiência com manutenção de bicicletas, só tenho noções básicas, mas estou levando corrente, varias câmaras de ar, remendos, chave de raio, e uma chave que desmonta a bike inteira, essa chave me custou uma fortuna. Pensei em levar pneu, mas quem já fez esse trajeto disse que o pneu novo é suficiente já que a maior parte é feita em estrada de terra e vamos ver o que vai dar.
BS - E você Sônia, como você se sente sendo a única moça do grupo nessa aventura?
Sônia - É bom representar as mulheres, é muito bom e eu me sinto lisonjeada.
BS - O que pessoas acham da idéia de vocês irem pedalando até Paraty?
Sônia - A principio loucura, mas acham bem legal, minha família mesmo acha uma loucura, mas estão apoiando. Meu irmão ofereceu o carro para eu ir achando que era falta de transporte, estão achando loucura legal.
Thiago - Por incrível que pareça estão apoiando, estão admiradas pela iniciativa e todas as pessoas com que falei me deram a maior força.
BS – Vocês estão há poucas horas de uma aventura longa e desafiadora, que expectativas vocês tem para completar os 1.650 km?
Thiago – Eu queria em primeiro lugar agradecer ao grupo Brutus da Serra que tenho no coração, especialmente a minha amiga Adelita, meu amigão Marcão, pessoas que ainda encontramos e que gostam de ver as pessoas felizes em seus projetos, eu não consigo expressar com palavras o meu sentimento pelo grupo que é nota 1000, foi uma dádiva que Deus me deu ter encontrado o grupo. Eu não estou conseguindo dormir direito estou nervoso, percebi que nos últimos dias meu psicológico anda abalado com a expectativa da distancia, mas o que eu sei é que quando subo em cima de uma bicicleta tudo muda. Estou tão nervoso que hoje mesmo eu já tomei duas cervejinhas porque é muita adrenalina, ave Maria. Desde o carnaval quando pensei no projeto estou louco para ir posso até demorar os 30 dais do mês de janeiro mas que se eu conseguir chegar em Paraty vai ser muito gratificante.
Sônia - Digamos que aquele friozinho na barriga ta aumentando, a minha preocupação é que eu não estou conseguindo comer e eu preciso me alimentar é um percurso longo eu preciso estar bem preparada, mas é inevitável, adrenalina, frio na barriga, medo as vezes, insegurança, 1000 sentimentos nessa hora de definição. Já estou agradecendo a Deus porque eu tenho certeza que vamos chegar, não sei como nem quando mas vamos chegar e eu tenho certeza disso.
(*) Weimar Pettengill, sul-mato-grossense radicado em Brasília, é um empresário inquieto, empreendedor movido por desafios, principalmente por aqueles que envolvam criatividade e inovação. Esportista e atleta experiente, leva consigo os ensinamentos que só se fixam com a prática: planejamento, organização, metas e objetivos, trabalho em equipe, liderança e outros tantos requisitos fundamentais para o ambiente de negócios dinâmico e competitivo que conhecemos. É autor do livro: Brasília-Paraty, somando pernas para dividir impressões - Editado em 2009, 240 páginas formato 15x22cm, com fotos coloridas e ilustrado, o livro narra a aventura de 18 dias de Brasília a Paraty pedalando uma bicicleta do tipo tandem.
O percurso
Brasília - Unai 160 KM
Unaí - Brasilandia 142 KM
Brasilandia - Pirapora 167 KM
Pirapora - Corinto 140 KM
Corinto - Diamantina 110 KM
DESCANSO
Diamantina - Serro 64 KM
Serro - Conceição do Mato Dentro 63 KM
Conceição do Mato Dentro - Itabira 70 KM
Itabira - Ouro Preto 100 KM
Ouro Preto - Santana dos Montes 73 KM
DESCANSO
Santana dos Montes - Prados 69 KM
Prados - Capela do Saco 75 KM
Capela do Saco - Airuoca 110 KM
Airuoca - Itamonte 59 KM
Itamonte - Cachoeira 95 KM
Cachoeira - Paraty 130 KM